Energia Nuclearquanto ela é, hoje, dentro do sistema elétrico brasileiro?

Dois mil megawatts, um estado

A capacidade instalada nuclear do Brasil é de 1.990 MW1. São duas usinas em operação, Angra 1 com 640 MW e Angra 2 com 1.350 MW, ambas no estado do Rio de Janeiro, e não há usina nuclear em qualquer outro estado do país. Esse total não cresce desde 2013, quando Angra 2 entrou em operação.

Medida pelo que ela gera, a nuclear respondeu por 2,1% da eletricidade brasileira em 2024, na conta da Resenha Energética oficial do Ministério de Minas e Energia, e por 2,5% se o recorte for apenas o Sistema Interligado Nacional2. Medida pelo que ela ocupa na capacidade instalada do país, o número cai para 0,7%, porque a base de comparação inclui a micro e minigeração distribuída1.

Esta página publica o tamanho real da participação, o que as duas usinas fizeram em 2025, quanto o sistema paga por elas, o que existe sobre Angra 3 — e onde o acervo não tem resposta.

Comparado com quem faz

Existem países em que a nuclear é um terço, metade ou dois terços da eletricidade. O Brasil está no fim da lista, e a lista não é exaustiva.

A compilação da World Nuclear Association para 2025 coloca a França em 68,1% e o Brasil em 2,2%3. No meio do caminho há países com porte energético muito diferente do brasileiro: Eslováquia 64,4%, Ucrânia 52%, Hungria 45,2%, República Tcheca 42,1%, Eslovênia 39,7%, Finlândia 39,6%, Belarus 39,5%, Bulgária 38,3%, Coreia do Sul 31,0%, Estados Unidos 17,7%.

Duas coisas precisam acompanhar esse número. A primeira é a natureza de quem o publica: a World Nuclear Association é associação de defesa do setor nuclear, e seus números são compilação a partir do PRIS da AIEA, da EIA americana, de dados das próprias empresas e de estimativas próprias — não estatística oficial auditada. A segunda é a divergência com a fonte brasileira: 2,2% (WNA, 2025) e 2,1% (MME, 2024) não se contradizem, medem anos diferentes, mas também não são o mesmo número, e este site não escolhe um deles para chamar "o" percentual.

A ficha que originou este gráfico registra que catorze países produziram ao menos um quarto da sua eletricidade a partir de fonte nuclear, e avisa: uma lista que salta da oitava para a décima posição está com país esquecido no meio. Este acervo não preservou cópia da página da WNA consultada em 26/08/2026 — é o único número desta página sem arquivo-fonte, e por isso ele entra com a natureza da fonte declarada na frase anterior.

O que as duas usinas fizeram em 2025

Angra 2 ficou o ano inteiro sincronizada. Angra 1 passou 97 dias parada para obras de extensão de vida útil. Os dois resultados estão no mesmo documento.

Angra 2 esteve sincronizada ao sistema nos 365 dias de 2025, sem parada para reabastecimento de combustível, com fator de disponibilidade de 99,97% e fator de capacidade de 100,39%, gerando 11.898.571 MWh de energia bruta4. É o sexto ciclo consecutivo sem desarme de reator. A Eletronuclear registra que foi recorde de geração anual desde o primeiro sincronismo da usina4 — recorde de Angra 2, na história de Angra 2, e não da central inteira.

Angra 1 sincronizou por 259 dias, com disponibilidade de 69,35% e 3.935.545 MWh brutos4. A razão é uma parada programada de 97 dias, a 1P29, na qual a empresa implementou projetos do programa de extensão de vida útil da usina: substituição da instrumentação de temperatura do núcleo, modernização do mapeamento de fluxo neutrônico, revestimento de solda sobre bocais de injeção de segurança e troca de parafusos dos suportes do interno inferior4. É uma parada de modernização, não de combustível: a palavra "reabastecimento" aparece no relatório apenas para dizer que Angra 2 não teve uma em 2025. Material de divulgação descreve a parada de Angra 1 como "recarga" — o relatório da administração não usa esse termo, e esta página segue o relatório.

O total das duas usinas em 2025 foi de 15.832.660 MWh. A Eletronuclear registra que é a quarta maior geração da central em mais de quarenta anos4 — não é recorde, e o próprio histórico de geração mostra por quê. Somadas desde o início, as duas usinas entregaram 396,18 milhões de MWh.

A série oficial de geração nuclear, do Balanço Energético Nacional, vai de 14.734 GWh em 2015 a 15.767 GWh em 2024, e o topo é 2019, com 16.129 GWh5. Em outras palavras: com a mesma capacidade desde 2013, o país gera hoje praticamente o que gerava há dez anos, e o ano mais produtivo da história não é o recente. Este site não atribui causa às variações da série, porque as fontes consultadas não atribuem.

Um contraste útil dentro da mesma fonte: Angra 1 gerou 5.361.253 MWh brutos em 2024 e 3.935.546 MWh em 20254. A queda de 2025 é a parada de 97 dias, não deterioração de desempenho — e é também o motivo pelo qual o fator de capacidade médio de uma usina nuclear não diz nada sozinho sobre ela ser ou não intermitente.

Quanto o sistema paga por isso

Aneel homologou a receita de Angra 1 e 2 para 2026. O número é público, o mecanismo é público, e as duas coisas são diferentes de conta de luz.

Pela Resolução Homologatória nº 3.567, de 27 de janeiro de 2026, a Receita Fixa de Angra 1 e 2 é de R$ 4.814.184.419,33, com vigência a partir de 1º de janeiro de 20266. O preço de repasse é de R$ 361,56 por MWh, aplicado a um montante de 13.315.067 MWh alocados aos usuários finais do Sistema Interligado Nacional, rateados entre 102 distribuidoras conforme fatores de ajuste publicados em anexo. O pagamento é mensal e recai sobre os usuários finais do SIN, exceto a subclasse residencial de baixa renda.

O que esse número é e o que ele não é: é receita anual permitida pela regulação às duas usinas, não faturamento realizado — a conta efetiva depende do que elas entregam. E não é tarifa individual: o valor entra na formação do preço de distribuidoras cotistas, e a resolução não homologa a conta de nenhum cliente. A própria resolução não trata de Angra 36.

Há uma segunda peça, e ela é o que separa esta página de material de defesa do setor: o mecanismo remunera disponibilidade, não apenas energia entregue. A Eletronuclear descreve a Receita Fixa como receita pela disponibilidade da usina, aferida mesmo sem despacho6. O lado simétrico também aparece no relatório de 2025: como as usinas entregaram acima da garantia física contratada, a empresa registrou uma Parcela Variável de R$ 37.735.180,214. E o valor de 2026 não é o de sempre: o relatório registra redução de 13,9% na receita fixa de 2025, fixada pela Resolução Homologatória nº 3.432, cujo inteiro teor não está neste acervo4.

O fundo que deveria pagar o fim de vida

Existe um fundo para descomissionar Angra 1 e 2. Em 2024 o TCU parou novos saques, e o valor total necessário ainda não tem fonte primária neste acervo.

O Acórdão 2.503/2024, do plenário do TCU, julgado em 27 de novembro de 2024, examinou a gestão do Fundo de Descomissionamento das usinas Angra 1 e 2 a partir de representação da unidade técnica do tribunal, e considerou a representação parcialmente procedente7. O fato examinado foi um resgate de R$ 374.000.000,00 realizado em 25 de março de 2024 — R$ 386.791.000,00 em valores corrigidos — sem anuência prévia dos reguladores. A determinação central é uma contenção: a Eletronuclear deve se abster de novos saques para ressarcir custos tributários sobre os recursos do fundo até que haja alinhamento institucional definitivo entre a empresa e os reguladores, e qualquer saque futuro fica condicionado à convalidação pela Aneel.

O que o acórdão não resolve, ele mesmo deixa claro: não fixa o valor devido, não resolve a questão tributária e não atesta o saldo atual do fundo. Os cerca de R$ 3 bilhões de saldo e os R$ 1,5 bilhão de pleito global que aparecem no documento são alegação da própria Eletronuclear, não aferição do tribunal7. Um segundo saque, de R$ 406.652.000,00, foi requerido e sobre ele a empresa pediu ao tribunal que não impedisse nem autorizasse — não foi realizado.

No espelho contábil da empresa, o fundo rendeu R$ 428 milhões em 2025, contra R$ 194 milhões em 2024, e a companhia constituiu provisão de R$ 224 milhões para ressarcimento ao fundo8. Já o número que fecharia a conta — quanto custa de fato descomissionar as duas usinas — está num voto da Aneel de dezembro de 2025 que este acervo ainda não baixou. Este site não publica o custo do descomissionamento.

Angra 3, a usina sem decisão

O que há de mais sólido nesta seção é uma indefinição: obra com progresso físico de 66% informado pela própria empresa, dívida em negociação e nenhum custo final publicado em fonte confiável.

Angra 3 está classificada pela Eletronuclear como "em fase de construção", com potência nominal de 1.405 MW, usina semelhante a Angra 24. A empresa informa progresso físico de 66% e que o projeto já consumiu cerca de R$ 12 bilhões, em página institucional que divulga estudo do BNDES sobre o tema9. O inteiro teor desse estudo não é público. No orçamento de 2025, a ação dedicada a Angra 3 tinha previsão de R$ 397,1 milhões e executou R$ 305,0 milhões, 77%4. Um sinal indireto do estado real: a empresa suspendeu os treinamentos de operadores licenciados de Angra 3 "considerando a situação atual do empreendimento"4.

Os números de custo existem, e todos vêm da parte interessada. Na página da Eletronuclear, a conclusão da usina é estimada em R$ 23,9 bilhões e o abandono, entre R$ 21,9 bilhões e R$ 25,97 bilhões; o relatório de gestão formula o mesmo como um custo de abandono que "pode chegar a R$ 26 bilhões"9. A comparação é o argumento que circula — concluir custaria menos que abandonar — e ele não se sustenta como resultado demonstrado: os dois valores se cruzam no meio da faixa, a data-base não é declarada e a metodologia está no estudo não público. Esta página registra a existência do argumento e não o adota.

O ato regulatório mais recente não decide a obra. A Resolução CNPE nº 14, de 15 de julho de 2026, manifesta "ciência e ausência de objeção" ao pleito da Eletronuclear junto ao BNDES e à Caixa Econômica Federal para análise de viabilidade de suspensão temporária do pagamento das dívidas de Angra 3, e reserva às duas instituições financeiras, com exclusividade, a análise e a deliberação10. Não suspende dívida, não fixa tarifa, não autoriza obra. A expressão "interesse público", que circula no noticiário sobre a resolução, não está no texto dela.

O plano decenal admite a usina em 2033, com 1.405 MW, e a frase do próprio documento condiciona a data ao estágio de revisão dos estudos de apoio à deliberação do CNPE11. O plano de operação do operador nacional não menciona Angra 3: a nuclear aparece agregada na categoria "termoelétricas convencionais e nucleares"12. Custo total consolidado, cronograma definitivo, valor e prazo das dívidas e tarifa aprovada não têm fonte neste acervo, e a regra da casa é não deduzir esses números de documento de planejamento.

Onde o Brasil está, em uma frase

A nuclear brasileira são 1.990 MW em um único estado, duas usinas que entregaram cerca de 15,8 milhões de MWh em 2025, um pagamento regulado de R$ 4,81 bilhões para 2026, um fundo de fim de vida sob determinação do TCU e uma terceira usina cujo custo final e cronograma não existem em fonte confiável.

Fontes

  1. Capacidade instalada e participação dela. EPE/MME, Balanço Energético Nacional 2025, relatório final, ano-base 2024: 1.990 MW de capacidade nuclear, toda no estado do Rio de Janeiro, estável desde 2013 (Tabela 8.4, p. 158; série desde 1974 na Tabela I.1, pp. 175–178), o equivalente a 1,0% dos 200.202 MW considerados sem micro e minigeração distribuída (p. 14). EPE/MME, Resenha Energética Brasileira 2025, ano-base 2024: 1.990 MW correspondem a 0,7% dos 271,0 GW da capacidade total, que nesse documento inclui a geração distribuída (Tabela 18, pp. 42–43). Os dois percentuais medem a mesma usina em bases diferentes; o denominador é a diferença. Angra 1 tem 640 MW (Westinghouse), Angra 2, 1.350 MW (Siemens/KWU) e Angra 3, 1.405 MW projetados — potências declaradas pela Eletronuclear no Relatório da Administração e Responsabilidade Social 2025, seção 2.1, p. 2. Voltar
  2. Participação da nuclear na geração brasileira. EPE/MME, Resenha Energética Brasileira 2025, ano-base 2024: nuclear com 2,1% da Oferta Interna de Energia Elétrica (15.767 GWh sobre 762,9 TWh, Tabela 13, pp. 35–36) e 2,5% da geração apenas do SIN, que em 2023 era 2,3% (Tabela 16, p. 40); a coluna "Total" da mesma tabela, que inclui sistemas isolados e autoprodução, dá 2,1%. Não há, neste acervo, percentual oficial brasileiro para 2025 — o BEN 2026 não foi consultado. Divergência registrada: o acervo contém três totais de eletricidade para 2024 (723.227 GWh na coluna "Total" da Tabela 16, 751.335 GWh de geração no BEN Síntese e 762,9 TWh de OIEE), e um percentual só tem sentido com o denominador declarado. A ONS não publica número equivalente: no PEN 2025 a nuclear aparece agregada em "termoelétricas convencionais e nucleares". Voltar
  3. Participação da nuclear na geração por país. World Nuclear Association, "Nuclear Power in the World Today", valores de 2025 conforme fichamento de consulta em 26/08/2026: França 68,1%, Eslováquia 64,4%, Ucrânia 52,0%, Hungria 45,2%, República Tcheca 42,1%, Eslovênia 39,7%, Finlândia 39,6%, Belarus 39,5%, Bulgária 38,3%, Coreia do Sul 31,0%, Estados Unidos 17,7%, Brasil 2,2%; mundo em cerca de 9%. A WNA é associação de defesa do setor, e os valores são compilação a partir do PRIS da AIEA, da EIA dos Estados Unidos, de dados das próprias empresas e de estimativas próprias — não atribuir os números ao PRIS nem à AIEA. O fichamento registra a ambiguidade de ano na própria fonte, que menciona cerca de 70% para a França em números de 2024, e a informação de que catorze países geraram ao menos um quarto da eletricidade com nuclear. Não há cópia preservada da página consultada neste acervo. Voltar
  4. Desempenho de Angra 1 e Angra 2 em 2025. Eletronuclear, Relatório da Administração e Responsabilidade Social — exercício de 2025. Angra 2: seção 3.1, pp. 9 e 10 — 365 dias sincronizada, sem parada para reabastecimento, energia bruta de 11.898.571 MWh, disponibilidade 99,97%, capacidade 100,39%, sexto ciclo consecutivo sem desarme, recorde de geração anual desde o primeiro sincronismo. Angra 1: p. 9 — 259 dias, energia bruta de 3.935.545 MWh, disponibilidade 69,35%, capacidade 69,65%, com agosto e outubro como quarto e quinto melhores meses da história da usina; a parada 1P29 durou 97 dias e implementou projetos do programa de extensão de vida útil (pp. 9 e 33). Central como um todo: pp. 5 e 9 — 15.832.660 MWh, descrita como a quarta maior geração em mais de 40 anos; produção acumulada desde o início de 396,18 milhões de MWh; Parcela Variável de R$ 37.735.180,21 por entrega acima da garantia física contratada, p. 10; redução de 13,9% na receita fixa de 2025 conforme Resolução Homologatória 3.432 da Aneel, cuja memória de cálculo não integra este acervo (p. 33). Contraste de 2024: Eletronuclear, release de 14/02/2025 — Angra 1 com 5.361.253 MWh brutos e Angra 2 com 10.405.551 MWh, total de 15.766.805 MWh. Limites: são números de energia bruta, declarados pela operadora, e a série anual por usina não é publicada no relatório. O relatório contém ainda duas formulações em tensão sobre Angra 1 — a mensagem da presidência, p. 1, diz que a usina "fechou o ano operando a 100%", e a seção 3.1 dá disponibilidade de 69,35% no ano; esta página usa a seção de desempenho. Voltar
  5. Série de geração nuclear no Brasil. EPE/MME, Balanço Energético Nacional 2025, relatório final, Tabela 5.3, p. 107, em GWh de eletricidade gerada a partir de urânio contido no UO₂ pelas centrais de serviço público: 14.734 (2015), 15.864 (2016), 15.739 (2017), 15.674 (2018), 16.129 (2019), 14.053 (2020), 14.705 (2021), 14.559 (2022), 14.504 (2023) e 15.767 (2024). A leitura que o próprio fichamento registra: 2024 não é recorde, e o topo da série é 2019. Estatística anual de geração — não usar para falar de capacidade, de tarifa ou de disponibilidade de usina. As fontes consultadas não explicam as variações individuais da série, e esta página não as explica. Voltar
  6. A conta regulada de Angra 1 e 2. ANEEL, Resolução Homologatória nº 3.567, de 27 de janeiro de 2026, publicada em 05/02/2026 (processo 48500.027334/2025-82). Art. 1º: Receita Fixa de R$ 4.814.184.419,33, relativa à geração das centrais de Angra 1 e 2, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2026. Parágrafo único: pagamento mensal pelos usuários finais do SIN, exceto a subclasse residencial de baixa renda, nas cotas alocadas nos termos da Lei 15.235/2025. Art. 2º: preço de repasse de R$ 361,56/MWh para cobertura tarifária das distribuidoras cotistas. Art. 3º: montante de 13.315.067 MWh alocado aos usuários finais. Anexo: fatores de ajuste de mercado de 102 distribuidoras. Natureza: decisão regulatória que autoriza receita anual permitida, não faturamento realizado; não é tarifa do consumidor final e não fixa conta individual. A resolução não trata de Angra 3 nem informa composição ou evolução histórica da Receita Fixa — a metodologia está nas Notas Técnicas 250/2025-STR e 5/2026-STR e na memória de cálculo, que não integram este acervo. Sobre a remuneração por disponibilidade, as formulações disponíveis são: a própria resolução, que a define como receita anual de geração; e a página institucional da Eletronuclear, que fala em "receita fixa pela disponibilidade (aferida mesmo sem despacho da usina)". Material jornalístico preservado no acervo (Poder360) é citado apenas como apoio, não como fonte de número. Voltar
  7. O que o TCU decidiu sobre o fundo de descomissionamento. TCU, Acórdão 2.503/2024-Plenário, sessão de 27/11/2024, relator ministro Antonio Anastasia, processo TC 008.315/2024-8, inteiro teor em RTF. A representação da auditoria energética sobre possíveis irregularidades na gestão do FDES foi conhecida e, no mérito, considerada parcialmente procedente. Item 9.2.1: determinar à Eletronuclear que se abstenha de realizar novos saques sobre o FDES para ressarcir custos tributários incidentes sobre os montantes da Parcela A destinada ao fundo, até alinhamento institucional definitivo com os reguladores; itens 9.2.2, 9.4 e 9.5 remetem documentação e planilhas à Aneel, cabendo à agência avaliar cálculos, alíquotas e pertinência tributária; item 9.7 condiciona eventual saque à convalidação da Aneel, com restituição ou complemento em até 60 dias; itens 9.9 e 9.10 instituem monitoramento do cumprimento. Fato examinado: resgate de R$ 374.000.000,00 em 25/03/2024, R$ 386.791.000,00 corrigidos. No documento, o saldo de cerca de R$ 3 bilhões, o pleito global de R$ 1,5 bilhão e a oneração tributária de R$ 502,8 milhões a valores correntes (R$ 793,4 milhões corrigidos pelo CDI) são alegações da Eletronuclear, não aferição do tribunal; R$ 406.652.000,00 foi segundo saque requerido, sobre o qual a empresa pediu ao tribunal que não impedisse nem autorizasse, e não foi realizado. A Aneel informa no processo que as usinas não têm cobertura tarifária adicional para o FDES, e a CNEN que suas normas não autorizam saque para atividade estranha ao descomissionamento. O que o acórdão não permite afirmar: valor final devido, solução tributária definitiva, saldo atual do fundo ou cumprimento das determinações. Voltar
  8. O fundo no espelho contábil da empresa. Eletronuclear, Relatório da Administração e Responsabilidade Social 2025: rendimento financeiro líquido do fundo de descomissionamento de R$ 428 milhões em 2025, contra R$ 194 milhões em 2024; provisão para ressarcimento ao fundo de R$ 224 milhões; variação a valor presente do passivo de descomissionamento de R$ 70 milhões em 2025, contra R$ 262 milhões em 2024; e reembolso de cerca de R$ 90 milhões de tributos sobre rendimentos do fundo, com procedimento regular aprovado pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear. São números societários da empresa, com parecer de auditores independentes no balanço, mas o balanço social é declarado não auditado. Correção registrada neste site: o fichamento deste relatório trazia 2024 como R$ 244 milhões de rendimento do fundo, valor que não existe no quadro original — R$ 194 milhões é o número do relatório, e R$ 234 milhões é a variação entre os dois anos. Voltar
  9. Os números de Angra 3 veiculados pela interessada. Eletronuclear, página institucional "Estudo do BNDES aumenta expectativa sobre decisão favorável à Angra 3", sem fichamento individual neste acervo: potência de 1.405 MW, capacidade de produzir cerca de 12 milhões de MWh por ano, progresso físico de 66%, projeto já consumiu cerca de R$ 12 bilhões, custo de conclusão estimado em R$ 23,9 bilhões, custo de abandono entre R$ 21,9 bilhões e R$ 25,97 bilhões, indefinição custando cerca de R$ 1 bilhão por ano (R$ 800 milhões de serviço da dívida com BNDES e Caixa mais R$ 200 milhões de manutenção), aportes da ENBPar de R$ 3,5 bilhões esgotados em setembro de 2024 e R$ 900 milhões consumidos das receitas de Angra 1 e 2 até outubro de 2025, tarifa de equilíbrio entre R$ 778,86 e R$ 817,27 por MWh na base de novembro de 2024 e entrada em operação comercial em março de 2033. O Relatório da Administração 2025 formula o custo de abandono como valor que "pode chegar a R$ 26 bilhões" (Mensagem do Presidente, p. 1, e seção 3.5, pp. 17–18). Limites: todos vêm da empresa ou da divulgação de um estudo cujo inteiro teor não é público, sem data-base declarada nem metodologia verificável; o custo de conclusão de R$ 23,9 bilhões e o de abandono na faixa de R$ 21,9 a R$ 25,97 bilhões se cruzam, o que impede a afirmação de que concluir custa menos que abandonar; e não há percentual de conclusão da obra em fonte independente no acervo. Voltar
  10. O que a Resolução CNPE 14/2026 faz, na letra dela. Texto integral conferido na conversão do Diário Oficial da União: o Conselho Nacional de Política Energética "manifesta ciência e ausência de objeção" quanto ao pleito apresentado pela Eletronuclear ao BNDES e à Caixa Econômica Federal para análise da viabilidade da suspensão temporária dos pagamentos das dívidas contratadas no âmbito da implantação de Angra 3, e reserva às instituições financeiras, com exclusividade, a análise e a correspondente deliberação. Resolução nº 14, de 15 de julho de 2026, publicada no DOU de 21/07/2026, aprovada pelo Presidente da República em 20/07/2026. Natureza: ato declaratório de política energética; não suspende dívida, não fixa tarifa, não autoriza retomada de obra, não informa valores nem prazos. O noticiário preservado no acervo descreve o ato como reconhecimento de "interesse público" — expressão que não aparece no texto da resolução — e o próprio texto jornalístico registra que o conselho não tem poder para determinar a suspensão. Há divergência de data entre o acervo (14/07/2026, na ficha e no noticiário) e o texto oficial (15/07/2026); esta página usa a data do texto. Voltar
  11. Angra 3 no plano decenal. EPE/MME, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, relatório final aprovado em 30/06/2026: entrada em operação comercial em 2033 com 1.405 MW, classificada como expansão contratada, sendo a única entrada nuclear do decênio; capacidade nuclear de 2 GW em 2025 e 2030 subindo a 3 GW em 2035. A condição está escrita no documento: para a expansão nuclear, o plano "após consulta ao MME e considerando o estágio atual de revisão dos estudos de apoio à deliberação CNPE de continuidade de Angra 3" adotou 2033. É indicativo de planejamento, não cronograma de obra. Os custos de capital do item nuclear no plano vêm de estimativa a partir de publicações internacionais, com valores no Caderno de Parâmetros de Custos, documento separado não preservado no acervo. Voltar
  12. O que o operador nacional diz sobre nuclear. ONS, Plano da Operação Energética 2025: o plano não contém informação específica sobre Angra 1, Angra 2 ou Angra 3; a geração nuclear aparece agregada na categoria "termoelétricas convencionais e nucleares", com 23,8 GW na matriz de energia elétrica de dezembro de 2024 (p. 11). Consequência prática: não existe, neste acervo, pressuposto do ONS sobre a entrada de Angra 3 em operação, nem número oficial do operador para separar a nuclear das demais térmicas convencionais. Voltar

Todos os números desta página vêm de fonte primária conferida. As séries completas e os limites de cada dado estão nas notas acima; as regras do acervo e os conflitos entre números estão na página de método. O que o país faz com o urânio antes de ele chegar à usina está em O que o Brasil domina, e a etapa que falta está em A etapa que falta.