Energia Nuclearé mesmo a fonte que ocupa menos terra?
Espaço
O que entra na conta
A fonte é o mesmo estudo da página de emissões. O indicador é outro: a terra ocupada ao longo do ciclo de vida.
Esta página se baseia no relatório Life Cycle Assessment of Electricity Generation Options, publicado pela UNECE em 2022, o mesmo estudo usado na página de emissões. É também a fonte que o Our World in Data cita quando compara o uso de solo por fonte de energia, e por isso o site a confere direto, como faz nas outras páginas.1
O indicador mede a ocupação de solo em metros quadrados-ano por megawatt-hora, m²a/MWh. Um metro quadrado-ano é um metro quadrado mantido ocupado durante um ano. O estudo soma a área ocupada ao longo de toda a cadeia e da vida útil de cada instalação e divide pela eletricidade que ela entrega. Como tudo no relatório, a conta é de ciclo de vida: entra a terra usada da extração da matéria-prima ao fim da usina, não só a cerca da usina.1
É o tempo dentro da unidade que explica o gráfico de abertura. Ele expressa o resultado em quilômetros quadrados equivalentes por TWh gerado em um ano — a mesma quantidade em outra escala, pois um m²a/MWh corresponde exatamente a um km² mantido durante um ano para cada TWh. Converter isso em área fixa, sem o ano, exigiria premissa de vida útil e fator de capacidade que a fonte não fornece, e nenhum número do estudo autoriza essa conta.
O relatório compara configurações declaradas, não abstrações. As colunas do gráfico vêm de eólica onshore, gás natural e carvão sem captura de carbono, solar fotovoltaica de silício instalada no solo e uma hidrelétrica de 360 MW. A nuclear é modelada como média global e por isso não varia por região — registro da própria legenda das figuras do estudo.1
Como os números são obtidos
Os valores não saem de tabela publicada. Foram lidos dos rótulos impressos nos próprios gráficos do relatório.
A ocupação em área física está na Figura 57 do relatório, na página 78. O segundo indicador, em pontos de qualidade do solo, está na Figura 43, na página 54. Em nenhum dos dois casos há tabela numérica no texto: o dado existe como gráfico, e os números usados neste site são os rótulos impressos nas próprias figuras.1
Há uma segunda dificuldade. Cada figura tem 22 colunas, e os rótulos de grupo ficam na base, deslocados em relação a elas. A coluna da nuclear não tem nome próprio: chama-se "average". A identificação foi feita por cruzamento, porque a mesma sequência de colunas aparece nas duas figuras e a legenda registra que a nuclear foi modelada como média global, sem variação regional. É inferência forte, confirmada pela aritmética das razões que o Our World in Data publica a partir deste mesmo estudo — cerca de 50 vezes menos solo que o carvão, de 18 a 27 vezes menos que a solar em solo —, mas é inferência, e este site a registra como tal.2
Dois indicadores, a mesma resposta
O estudo publica duas medidas independentes de ocupação de solo. Nas duas, a nuclear fica em primeiro lugar.
O primeiro indicador é a área física, em m²a/MWh, o que aparece no gráfico de abertura. A faixa da nuclear vai de 0,52 a 1,02, a menor de todas as avaliadas; a da eólica onshore, segunda colocada, vai de 0,6 a 1,2.1
O segundo indicador não mede área, e sim o que a ocupação retira do solo. O estudo converte a área ocupada em pontos de qualidade, ponderando cinco funções do solo: resistência à erosão, filtração mecânica, filtração físico-química, regeneração de água subterrânea e produção biótica, com fatores definidos na Tabela 32 do relatório. Ocupar solo de alta qualidade pontua mais que ocupar área degradada.1
| Tecnologia | Faixa publicada |
|---|---|
| Solar CSP, torre | 2,5 – 12,7 |
| Solar fotovoltaica em solo | 1,3 – 4,4 |
| Carvão sem captura | 1,3 – 3,0 |
| Gás natural sem captura | 0,1 – 0,8 |
| Hidrelétrica de 360 MW | 0,12 – 0,21 |
| Eólica onshore | 0,07 – 0,14 |
| Nuclear | 0,05 – 0,07 |
A ordenação não é idêntica nos dois indicadores — a hidrelétrica de 360 MW é das maiores em área e das menores em pontos —, mas o primeiro lugar é o mesmo nos dois. Pelas duas medidas, a nuclear tem a menor ocupação de solo entre todas as tecnologias avaliadas, e no indicador de qualidade fica abaixo até da eólica onshore.
Os limites da comparação
A direção do resultado é robusta. Os valores exatos dependem de sítio, configuração e método, e o próprio estudo registra isso.
A hidrelétrica é o caso mais sensível. A topologia do rio, do vale e do reservatório faz o indicador variar por ordens de magnitude: a UNECE modela duas usinas, de 360 MW e de 660 MW, e os resultados são 24,07 a 41,95 e 8,7 a 15,2 m²a/MWh, em ordem invertida no indicador de qualidade. O gráfico de abertura mostra o caso de 360 MW.1
Na eólica, dois métodos dão dois números. A UNECE mede área de impacto direto — fundações, vias e instalações — e chega a 0,6 a 1,2 para a eólica onshore. O Our World in Data fez cálculo próprio para 23 parques de grande porte, usando a área do sítio do projeto, e chegou a 8 a 184 m²a/MWh. Os dois números respondem a perguntas diferentes e não podem ser misturados na mesma comparação; esta página usa o método da UNECE do início ao fim.2
Por fim, um número que circula em material de divulgação: 0,3 km² por TWh. Ele não existe neste relatório nem em outra fonte que este site tenha localizado. A unidade não é a do estudo, e a conversão exigiria premissas que a fonte não fornece.2
Nada disso altera a direção da comparação. Nos dois indicadores publicados, com qualquer configuração avaliada, a nuclear ocupa a primeira posição, com a eólica onshore logo atrás e a dezenas de vezes de distância do carvão e da solar instalada no solo.
O que os dados permitem dizer
Medida pela área física ou pela qualidade do solo ocupado, a energia nuclear registra a menor ocupação de solo entre todas as tecnologias avaliadas pelo estudo. Os dois indicadores são independentes, e nos dois a nuclear fica em primeiro lugar, com a eólica onshore logo atrás.
Fontes
- Ocupação de solo por tecnologia. UNECE, Life Cycle Assessment of Electricity Generation Options, 2022. Figura 57, p. 78: ocupação total de solo em m²a/MWh, com nuclear de 0,52 a 1,02, a menor faixa; eólica onshore de 0,6 a 1,2; gás natural sem captura de 0,7 a 5,8; carvão sem captura de 8,3 a 26,6 conforme a configuração; solar fotovoltaica de silício em solo de 13,7 a 40; hidrelétrica de 24,07 a 41,95 na usina modelada de 360 MW e de 8,7 a 15,2 na de 660 MW. Figura 43, p. 54: qualidade do solo ocupado em pontos por kWh, com nuclear de 0,05 a 0,07, também a menor; fatores de ponderação na Tabela 32. Valores lidos dos rótulos impressos nas próprias figuras, sem tabela numérica no texto. A coluna da nuclear não é rotulada: chama-se "average" e foi identificada por cruzamento das duas figuras e da legenda, que registra a nuclear como média global. Voltar
- Uso de solo por fonte. Our World in Data, "How does the land use of different electricity sources compare?", consultado em 26/08/2026. Compilação secundária que cita a UNECE (2021, com corrigendum de 2022) para todas as fontes, exceto a eólica. As razões publicadas — cerca de 50 vezes menos solo que o carvão e de 18 a 27 vezes menos que a solar em solo — conferem com a Figura 57. A eólica, de 8 a 184 m²a/MWh, é cálculo próprio do OWID sobre 23 parques de grande porte, usando a área do sítio do projeto, método distinto do de impacto direto da UNECE; os dois não são misturados nesta página. O valor de 0,3 km² por TWh que circula atribuído a essas fontes não está em nenhuma delas. Voltar
Todos os números desta página vêm de fonte primária conferida. As séries completas e os limites de cada dado estão nas notas acima; as regras do acervo e os conflitos entre números estão na página de método.