Energia Nuclearde onde vem cada número deste site?
Fontes e método
Todo número deste site passa pela mesma régua antes de ser publicado: fonte conferida, localização no documento, período e limite declarado. Esta página descreve essas regras, apresenta o acervo e registra os conflitos entre as fontes.
O acervo foi montado em quatro lotes de fichamento, entre 25 e 27 de agosto de 2026: 28 documentos primários e normativos, mais de trezentas evidências extraídas, e as verificações específicas das três primeiras páginas — Eurostat, Our World in Data, OMS, World Nuclear Association e a literatura acadêmica que elas citam.
As regras
Sete regras, aplicadas a todos os números do site, sem exceção.
Fonte primária primeiro. Um número só entra com fonte primária conferida. Compilações secundárias — o Our World in Data, a World Nuclear Association — servem de rota até a fonte que citam e de contexto, nunca de substituto. Quando o site usa o número da compilação, como os 0,07 mortes por TWh da página de segurança, isso é dito, e a conferência contra a fonte primária é publicada junto.
Localização e período. Cada número carrega o documento, a página ou tabela, e a data-base — "Red Book 2024, Tabela 1.2a, data-base de 1º de janeiro de 2023" é o formato padrão. Número sem localização não é publicado.
Faixa, não valor único. Se a fonte publica faixa, o site publica faixa. Mediana sozinha dá falsa precisão: é por isso que a página de emissões mostra os 3,7 a 110 do IPCC inteiros, e a de espaço, os 0,52 a 1,02 da UNECE.
A ressalva viaja com o número. O que a própria fonte declara como limite fica no texto, não em nota escondida. A faixa da hidrelétrica exclui majoritariamente as emissões biogênicas de sedimento de reservatório. O preço alemão exclui impostos e vale para uma faixa de consumo declarada. Os 0,07 da nuclear incluem Chernobyl e Fukushima.
Divergência se publica, não se esconde. Quando duas fontes conferidas discordam, o site publica as duas e explica a diferença. Os casos registrados até aqui estão na próxima seção.
Inferência e cálculo próprio têm rótulo. A coluna da nuclear nas figuras da UNECE foi identificada por cruzamento, e é registrada como inferência. O curtailment de 2024 e 2025 é cálculo do site sobre dados horários do ONS, validado contra o agregado oficial, e publicado como tal.
Quando o número não existe, o site diz. Se nenhuma fonte localizada publica o dado, o site registra a ausência em vez de estimar. É o caso dos 0,3 km² por TWh de uso de solo e do custo final e cronograma definitivo de Angra 3.
Como o acervo foi montado
Quatro lotes de fichamento, revisão metodológica e uma regra de encerramento: sem conteúdo verificável, a fonte não entra.
O primeiro lote, de 25 de agosto, cobriu o setor elétrico brasileiro: ONS (PEN 2025 e quatro boletins de custo), EPE (BEN 2025, Resenha Energética e a nota técnica sobre a escassez hídrica de 2021), ANEEL, Eletronuclear e TCU. Onze documentos.
O segundo lote, do dia 26, cobriu a cadeia nuclear e as comparações internacionais: Red Book da OECD-NEA/IAEA, o relatório de ciclo de vida da UNECE, o Anexo III do AR5 do IPCC, o relatório da IAEA sobre Goiânia, INB (páginas institucionais e o contrato Internexco), ANM, CNEN, IBAMA, CNPE e o acórdão do TCU sobre o fundo de descomissionamento. Onze fichamentos, com uma exclusão.
O terceiro lote fechou os dois documentos longos da EPE: o PDE 2035, de 541 páginas, e o relatório final do BEN 2025, de 315. Duas fontes tentadas ficaram de fora: o portal PRIS da IAEA e a Conta Escassez Hídrica da CCEE.
O quarto lote encerrou a coleta planejada com o contexto institucional e histórico: o Decreto Legislativo 65/1998 da adesão ao TNP, os dois dossiês do Wilson Center sobre o acordo de 1975 e o programa nuclear brasileiro, e o estudo do CEBRI sobre não proliferação. São fontes secundárias, usadas para cronologia e enquadramento, nunca para números.
Cada fichamento passou por revisão metodológica. Relações interpretativas entre documentos foram removidas; siglas que a fonte não define deixaram de ser expandidas; anos, páginas e valores foram conferidos contra o documento original. As três primeiras páginas do site exigiram uma rodada extra de verificação: as séries do Eurostat foram conferidas na própria API, os rótulos das figuras da UNECE foram lidos por renderização das páginas, e as tabelas do artigo de Sovacool foram conferidas contra a compilação do Our World in Data.
O acervo tem duas limitações registradas. O arquivo do Acórdão 1.786/2017 do TCU traz dois acórdãos na mesma página e não transcreve o relatório de auditoria — os achados de fiscalização não são verificáveis nesse documento, e o site o usa com essa restrição. E os boletins do ONS não individualizam usinas nucleares: a nuclear aparece agregada em "termoelétricas convencionais e nucleares".
O acervo, fonte por fonte
Vinte e oito documentos fecharam a coleta entre 25 e 27 de agosto de 2026, mais as conferências feitas sobre as três primeiras páginas. Cada entrada diz o que é o documento e o que este site tirou dele.
Primeiro lote — o setor elétrico brasileiro
Onze documentos de planejador, operador, regulador, dono das usinas e tribunal de contas.
ONS, Plano da Operação Energética 2025. O plano anual de operação do sistema. Interessa aqui pelo vocabulário do próprio operador: critérios de suprimento, inflexibilidade das fontes e requisitos de flexibilidade — o argumento de que uma usina que não desliga custa ao sistema.
ONS, boletins de custos. Quatro boletins: setembro de 2022, setembro de 2025, fevereiro e março de 2026. É de onde se lê o custo de operar o sistema. Uma limitação registrada: neles a nuclear não aparece separada — entra agregada em "termoelétricas convencionais e nucleares".
EPE/MME, Balanço Energético Nacional 2025. Relatório final de 315 páginas, ano-base 2024. A série decenal de geração nuclear, o inventário de urânio de 295.389 t U₃O₈ e o balanço consolidado do país.
EPE/MME, Resenha Energética Brasileira 2025. Ano-base 2024. A matriz elétrica aberta fonte por fonte.
EPE, Escassez Hídrica em 2021, nota técnica NT-EPE-DEE-DEA-001/2023. O diagnóstico da crise de suprimento de 2021, usado como o contraexemplo da história: o ano em que o sistema operou no limite.
ANEEL, Resolução Homologatória 3.567/2026. Receita fixa de Angra 1 e 2 para 2026, com preço de repasse e montante. Número regulado, publicado pela agência, não estimativa deste site.
Eletronuclear, Relatório da Administração e Responsabilidade Social 2025. Desempenho de Angra 1 e 2, produção histórica acumulada e o custo já gasto em Angra 3. Como não há atualização pública posterior, o custo final e o cronograma definitivo da obra não são publicados aqui.
TCU, Acórdão 2.503/2024-Plenário. O fundo de descomissionamento (FDES). O inteiro teor foi obtido em RTF, porque a versão em PDF não entregava o texto da decisão.
Segundo lote — a cadeia nuclear e as comparações internacionais
Onze fichamentos, do recurso de urânio ao ciclo de vida da eletricidade, com uma exclusão registrada.
OECD-NEA e IAEA, Uranium 2024: Resources, Production and Demand (Red Book). Data-base de 1º de janeiro de 2023. Os 167.800 tU do Brasil em recursos identificados recuperáveis abaixo de US$ 130 por quilo de urânio, além de produção e projeções. É também o exemplo de localização completa que este site exige de todo número.
UNECE, Life Cycle Assessment of Electricity Generation Options, 2022. Ano-base 2020. Emissões de ciclo de vida — 5,1 a 6,4 gCO₂eq/kWh na nuclear — e ocupação de solo, de 0,52 a 1,02 m²a/MWh. Não há tabela numérica no relatório: os valores foram lidos dos rótulos das próprias figuras, e a coluna da nuclear, que se chama "average", foi identificada por cruzamento com a legenda. É inferência, e está declarada como tal.
IPCC, Quinto Relatório de Avaliação, Grupo III, Anexo III, 2014. A meta-análise de estudos publicados até 2014, com mínimo, mediana e máximo por tecnologia: 3,7 a 110 gCO₂eq/kWh para a nuclear. A faixa larga é o ponto, não um defeito do dado.
IAEA, The Radiological Accident in Goiânia, Publicação 815, 1988. O acidente em fonte primária completa, na versão da agência que o investigou — não em resumo de segunda mão.
INB, páginas Ciclo do Combustível Nuclear e Produção e Relatório de Gestão 2025. As etapas que a empresa realiza, as capacidades declaradas e a produção de 75,5 t U₃O₈ em 2025. As capacidades de Caetité divergem entre as páginas da própria empresa, e a divergência está registrada adiante.
INB, divulgação do contrato com a Internexco, março de 2025. A conversão — etapa que o Brasil não tem — contratada no exterior, com retorno previsto como UF6 enriquecido a 4,25% até dezembro de 2027. Não há documento público de embarque realizado.
ANM, Economia Mineral do Brasil, capítulo Urânio. Urânio tratado como minério: dados de 2007, sempre citados com a data; prospecção de cerca de 25% do território; 142.500 t U₃O₈ em Santa Quitéria, por critério geológico.
CNEN, Resolução 326/2024. Aprovação do local de Santa Quitéria pela autoridade nuclear.
IBAMA, processo SEI 02001.014391/2020-17. Licenciamento ambiental de Santa Quitéria, na etapa de licença prévia.
CNPE, Resolução 14/2026. Reconhecimento de interesse público de Angra 3. Caráter declaratório: não libera obra nem dinheiro.
TCU, Acórdão 1.786/2017-Plenário. Angra 3 no tribunal de contas, usado com restrição declarada: o arquivo traz dois acórdãos na mesma página e não transcreve o relatório de auditoria, então os achados de fiscalização não são verificáveis nele.
Terceiro lote — os dois documentos longos da EPE
EPE/MME, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035. Relatório final aprovado, 541 páginas, horizonte 2026–2035. A projeção de demanda de 680 para 939 TWh, as cargas especiais e Angra 3 dentro do planejamento oficial. O documento carrega uma divergência interna: num trecho a capacidade instalada vai de 249 para 359 GW, noutro para 358 GW. O relatório final do Balanço Energético Nacional 2025 foi fechado neste lote.
Quarto lote — o quadro institucional e histórico
Fontes secundárias, para cronologia e enquadramento, nunca para números.
Decreto Legislativo 65/1998. O texto normativo da adesão brasileira ao Tratado de Não Proliferação.
Wilson Center, dois dossiês sobre o acordo nuclear de 1975 e o programa brasileiro. A história do acordo com a Alemanha e do que ele permitiu, em fonte secundária de instituição de pesquisa.
CEBRI, estudo sobre não proliferação. O enquadramento da posição brasileira no regime de não proliferação.
As conferências das três primeiras páginas
O que foi aberto depois do fichamento, quando as páginas de conteúdo exigiram checagem direta.
Eurostat, séries nrg_ti_gas, nrg_pc_205 e nrg_pc_203. Conferidas na própria API do Eurostat em 27/08/2026. Gás russo na Alemanha e preços industriais de eletricidade: valores sem impostos, referidos a uma faixa de consumo declarada.
Our World in Data. Compilação secundária de segurança e uso de solo; as fontes primárias que ela cita foram conferidas uma a uma. De lá vêm o 1,30 da hidrelétrica, o 0,07 da nuclear e as razões de uso de solo publicados na página de espaço.
Markandya e Wilkinson (2007), The Lancet 370(9591), e Sovacool et al. (2016), Journal of Cleaner Production 112. A literatura acadêmica por trás da compilação. As tabelas de Sovacool foram conferidas contra o Our World in Data, e a diferença de método entre os dois está registrada na próxima seção.
OMS, "Chernobyl: the accident, Q&A". Síntese do relatório de 2006 da agência e do UNSCEAR de 2011: as 28 mortes agudas apuradas caso a caso, o mais conservador dos três números de Chernobyl que a página de segurança publica.
World Nuclear Association, participação da nuclear na geração por país em 2025. Compilação de associação setorial, montada a partir do PRIS da IAEA, da EIA e de estimativas próprias. A natureza da entidade é declarada no texto onde o número aparece.
Conflitos entre números
Sete casos em que fontes conferidas divergem. Em todos, o site publica os dois lados e a explicação.
Hidrelétrica × nuclear, mortes por TWh. A compilação do Our World in Data registra 1,30 e 0,07; o artigo de Sovacool, na normalização dele para 1990–2013, registra 0,0235 e 0,0097. A diferença está na janela de tempo: o rompimento de Shimantan, em 1975, fica fora do recorte do artigo. A página de segurança publica os dois números e adota a compilação, com o método declarado.
UNECE × IPCC, emissões. A UNECE roda um modelo único e chega a 5,1–6,4 para a nuclear; o IPCC reúne a literatura publicada até 2014 e chega a 3,7–110. Boa parte da diferença está no enriquecimento: ultracentrifugação no modelo da UNECE, difusão gasosa em muitos estudos antigos. As duas faixas são publicadas, com o método de cada uma.
Dois números para o urânio brasileiro. 167.800 tU no Red Book; 295.389 t U₃O₈ no BEN. A ponte: 295.389 × 0,848 = 250.491 tU, que coincide com as 250.500 tU de recursos identificados in situ abaixo de US$ 260/kgU da Tabela 1.2b do próprio Red Book. Nenhuma das duas fontes está errada: uma conta recurso recuperável a US$ 130/kgU, a outra conta inventário geológico in situ.
Capacidade de Caetité. A INB declara 260 t U₃O₈ por ano; o Red Book declara 220 tU por ano. É a mesma capacidade em unidade diferente: 260 × 0,848 = 220,5.
Três números para Chernobyl. 28, da OMS, são as mortes agudas apuradas caso a caso; 433, do Our World in Data, são estimativa que incorpora efeitos tardios; 4.056 é o registro da base de Sovacool. Respondem a perguntas diferentes, e a página de segurança publica os três com origem.
Divergência interna do PDE 2035. O documento diz, num trecho, que a capacidade instalada vai de 249 GW para 359 GW; noutro, para 358 GW. O conflito é do próprio documento, e fica registrado.
Santa Quitéria. A INB registra 80.000 t de urânio; a ANM, 142.500 t U₃O₈. A diferença é de critério: reserva lavrável contra reserva geológica total.
Cálculo próprio, com validação
Dois conjuntos de números não vêm de agregado publicado: o curtailment de eólica e solar e o fator de capacidade realizado. São reconstruções sobre dados horários do ONS, com validação declarada.
A base é a série horária de restrições de operação (constrained-off) do ONS, usina a usina, para 2024 e 2025. O ONS publica o agregado anual, mas não a decomposição por razão da restrição; o site a calculou. A validação: o total de 2024, de 12.712 GWh, equivale a 1.447 MW médios, que reproduzem exatamente o agregado oficial do ONS para o ano. É isso que autoriza publicar a série e a decomposição.
Três limites acompanham esses números. Primeiro: a série solar só começa em abril de 2024, então o total anual de 2024 subestima. Segundo: para comparar os dois anos, a conta foi refeita com as mesmas usinas e o mesmo recorte, abril a dezembro, e o corte sobe de 10,39% para 21,77% — o salto é real, não artefato de mudança de base. Terceiro: a memória de cálculo passo a passo está em preparação; até lá, todo número derivado é rotulado como cálculo próprio sobre a base do ONS.
Um erro conhecido fica registrado para não acontecer: o valor de 7,6 GWh que circula como "corte de 2024" é um cenário hipotético sem microgeração distribuída, não um valor observado. Compará-lo com os 4.330 GWh de razão energética como se fossem duas medições seria erro grave.
A regra, em uma frase
Entre um número redondo sem origem e um número com fonte, localização e limite, este site fica com o segundo — mesmo quando ele é menos bonito. E, quando o número não existe, o site diz que não existe.
As páginas de conteúdo trazem as próprias fontes, com localização e limite, nas notas de cada uma. O que esta página descreve — regras, conflitos e cálculo próprio — vale para todas elas.